Sinto-me como se estivesse a deixar a vida passar diante dos meus olhos, sem no entanto tocá-la, sem nunca olhá-la. É esta exaustão, esta exaustão que sinto, esta exaustão que me prende os sentidos, os movimentos, o pensamento. É esta exaustão que me sustém, já não conheço outra realidade. Não me deixa ver para além dela, e dói. Saber que queria fazer mais do que arrastar-me pelo tempo, mas o cansaço sente-se até nas pontas dos dedos, e dói. Viver mundos, respirar saudades, e não tocar em nada. Respiro tudo menos serenidade, tudo menos o descanso que vem com uma vida menos ocupada. Tenho a mente cheia de tudo, e ao mesmo tempo cheia de nada. É tanto peso nos ombros que levito no ar. Preciso de uma pausa, preciso de um escape, de uma realidade que não seja esta. Preciso que acabe, antes que seja o meu ser a acabar.
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